Padre Elias e o silêncio dos sinos

Fátima Nunes reverencia o legado deixado por Padre Elias e destaca a história de um sacerdote que fez da fé um instrumento de transformação social

Há notícias que chegam sem fazer barulho, mas conseguem silenciar uma cidade inteira. A partida de Monsenhor José Elias Ferreira, aos 99 anos, é uma delas. Quando um sacerdote encerra sua caminhada, não é apenas um homem que se despede; parte também um pedaço da história, uma voz que durante décadas confortou aflitos, fortaleceu a fé dos humildes e ensinou, com o próprio exemplo, que servir é a mais nobre das vocações.

Padre Elias pertence à rara geração de homens que escolheram gastar a vida pelos outros. Deixou a simplicidade do campo, ainda jovem, para seguir o chamado de Deus. Encontrou em Cícero Dantas não apenas uma paróquia, mas uma missão. Ali fincou raízes e transformou o Evangelho em ação concreta. Evangelizou, educou, acolheu crianças, estendeu as mãos aos pobres, incentivou agricultores, despertou lideranças e ajudou uma cidade inteira a acreditar que a fé também floresce quando se luta por dignidade e justiça.

Seu legado não se mede apenas pelas missas celebradas ou pelos sacramentos administrados. Mede-se pelas vidas que tocou, pelos jovens que inspirou, pelas famílias que reencontraram esperança e pelos incontáveis gestos de solidariedade que fizeram da Igreja um lugar de acolhimento para todos. Há pessoas que passam pelo mundo; Padre Elias permaneceu no coração de seu povo.

A deputada estadual Fátima Nunes, amiga pessoal do sacerdote, conhece de perto essa grandeza silenciosa. Seu testemunho não nasce apenas da convivência, mas da certeza de que poucos homens conseguiram exercer o sacerdócio com tamanha fidelidade, simplicidade e compromisso com os mais necessitados. Sua tristeza é também a de milhares de bonconselhenses que hoje sentem a ausência daquele que se tornou referência moral e espiritual para gerações.

Talvez a verdadeira eternidade seja isso: continuar presente na memória de quem ficou. Enquanto houver alguém repetindo um conselho seu, recordando uma homilia, contando uma história ou agradecendo um gesto de acolhimento, Padre Elias continuará caminhando pelas ruas de Cícero Dantas, como quem jamais deixou o rebanho que Deus lhe confiou.

Hoje, os sinos dobram em sinal de despedida. Amanhã, soarão como lembrança de uma vida plenamente cumprida. E nós, que permanecemos, elevamos nossa oração ao Deus da Vida, rogando que receba Monsenhor José Elias Ferreira na morada eterna, onde não há dor nem despedidas, mas a paz reservada aos servos fiéis. Que Cristo, a quem dedicou toda a sua existência, o acolha em Sua infinita glória, e que Nossa Senhora do Bom Conselho o conduza, para sempre, aos braços do Pai.

Editor: Soteropolis Noticias / Por: Itamar Ribeiro

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